Dinheiro Garantido

Investimentos, Sustentabilidade e Independência

O evangelho do consumo

By Emanuel on 14 de Junho de 2010

Não foi até há algumas décadas passadas que ter um carro e electricidade em casa era considerado um luxo pela maior parte das pessoas. A sociedade acabou por evoluir e actualmente as cidades estão repletas de carros, bens de consumo e entretenimento de todo o tipo. Basicamente, é difícil estar-se aborrecido hoje em dia.

Os industriais desde o início que tiveram esta visão, o seu papel sempre foi maximizar o consumo, através de agendas políticas e também com recurso à publicidade. Se repararem, é muito raro algum político dizer que estamos numa situação sustentável e que não precisamos de mais crescimento económico. Há uma diferença entre abundância e qualidade de vida, que gosto bastante de salientar neste blog.

O complexo industrial envolveu-se então de satisfazer as necessidades básicas para a criação de novas e inovadoras necessidades. Actualmente está muito em voga o empreendedorismo e a competitividade, qualquer empresário sonha em criar algo que seja muito procurado pela sociedade, chama-se a isso “riqueza”, mas este conceito é muito diferente do seu significado literal. A sociedade acabou por se transformar então num talho de vontades supérfluas e inúteis, moldado pelas nossas próprias necessidades exuberantes, incumbidas pela sociedade que nos proíbe e restringe a liberdade, e enfim, de sermos realmente pessoas mais ricas no sentido cívico e social.

As pessoas foram convencidas à noção que não importa o que se tem, é sempre preciso mais e mais. Embora a industrialização da sociedade tenha poupado tempo na obtenção das necessidades básicas, a sociedade decidiu não ir por esse rumo e as pessoas cada mais trabalham em empregos sem qualquer tipo de valor cívico e moral.

Em vez disso, demos permissão aos donos das máquinas para expandir o seu propósito, que não é a redução de trabalho, mas sim “maior produtividade” – com o imperativo de consumir tudo o que a maquinaria conseguisse produzir.

O presidente Herber Hoover no Comité de Mudanças económicas disse .. “Através da publicidade e de outros métodos de promoção.. uma grande quantidade de produção foi criada, acabando por libertar muito capital que estava preso. ” E então celebraram a inovação conceptual : “Economicamente nós temos um grande campo à nossa frente, que há novas necessidades que vão encontrar novas vontades, à velocidade a que são satisfeitas.”

No entanto houve numa empresa americana, com uma visão peculiar, essa empresa era a Kellogg que na altura era a maior produtora de cereais a nível mundial. A Kellogg anunciou que os seus 1500 trabalhadores seriam colocados num horário de seis horas de trabalho diário apenas. O presidente na altura pensou que ao estabelecer quatro turnos de seis horas, em vez das habituais três de oito horas, isso daria emprego a mais famílias. A Kellogg também aumentou um pouco a remuneração por hora para o impacto não ser tão grande no rendimento das famílias.

Embora alguns colaboradores ficassem um bocado ressentidos, as mudanças a longo prazo foram bastante motivantes. Era comum chegar agora a casa mais cedo e passar mais tempo com a família, desenvolver hobbies e apenas ter tempo para apreciar a vida.

Alguns estudiosos afirmam que é possível obter as necessidades da vida em semanas com dois dias de trabalho apenas. No entanto em vez de realizarmo-nos na rica vida social que a Kellogg apresentou, nós reduzimos a riqueza das nossas comunidades, com uma forma de materialismo que nos deixa em isolação com a família, amigos e vizinhos. Simplesmente não temos tempo para eles. Um observador externo pode observar que estamos num caminho esquisito, quase de auto-destruição.

Depois da guerra e apesar da visão da Kellogg ser suportada pela grande parte dos seus colaboradores, voltou ao horário normal de oito horas diárias, porque os líderes e gestores no topo não gostaram muita da ideia. Alguma resistência foi feita pelos colaboradores, que eram tentados com promoções e incentivos monetários.
Fonte e adaptação: http://www.orionmagazine.org/index.php/articles/article/2962/

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Uma breve introdução à Análise Técnica

By Emanuel on 29 de Abril de 2010

A Análise Técnica é o método mais popular e usado na bolsa actualmente. No entanto a sua performance face à Análise Fundamental deixa muito a desejar, tipicamente a escola de ensinamento da Análise Fundamental safa-se melhor na bolsa. Além disso, grande parte da Análise Técnica foi criada com a necessidade de vender produtos, seja seminários, livros ou mesmo software complexo que agora está na moda, os sistemas automáticos, tudo o que seja de palavreado complexo e exagerado vende nesta sociedade constituída de pessoas desinformadas.

A Análise Técnica usa fundamentalmente indicadores, que reflectem alguma informação sobre a acção no momento actual, a tendência é para ser cada vez mais actual devido à teoria eficiente dos mercados.

Os conceitos mais usados na Análise Técnica são:

  • MM ( Média Móvel )

O mais simples de todos, existem sistema que se baseiam apenas em MMs e na correlação de MMs de períodos diferentes. A MM é uma forma de atenuar o movimento anarquista das cotações, vislumbrando-se depois as tendências ascendentes e descendentes de forma clara. Existem várias estratégias de trading com base apenas na MM, o sistema de cruzamento, o sistema de dupla ultrapassagem, o sistema de cruzamento de médias móveis, mudança de direcção, acoplamento, brevemente irei abordar cada uma destas metodologias.

  • Volumes

Todas as análises eficientes devem ser feitas com o recurso ao volume, isto é, ver qual é a procura e oferta num determinado instante. Geralmente o volume está a par e passo com as alterações na cotação. Existem determinadas correlações entre preço / volume que merecem ser estudadas em cada ambiente de mercado.

  • Suporte e resistência

A linha de resistência é criada quando se forma um tecto no preço de uma acção, a mesma analogia se aplica nos suportes, quando o valor de uma acção não passa de um certo chão.

  • Linhas de tendência

A linha de tendência é uma linha que mostra a direcção prevalecente da cotação de uma acção. As linhas de tendência são uma visão representativa das linhas de suporte e resistência em qualquer altura.

  • Área de consolidação

Padrão previsível, alerta para uma altura de indecisão, a cotação está para sair do seu suporto intervalo e barreiras.  A zona de consolidação pode durar meses e até anos.

  • Momentum

A taxa de acelaração de o preço ou volume de uma acção.

  • Firmeza relativa

Uma medida da tendência que indica a performace da acção em relação a outros na mesma indústria.

  • MACD

O MACD é a acrónima de Moving Average Convergence / Divergence, este indicador é a diferença entre o EMA de 26 dias e o EMA de 12 dias.

Conclusão..

Talvez seja melhor ver a Análise Técnica como uma variável importante na decisão de compra e venda de uma acção, desde que tenha investigado o sector e conheça minimamente o negócio da empresa que está a analisar, este tipo de conhecimento só é adquirido quando se acompanha a empresa e o sector durante algum tempo.

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O paradoxo de Jevons

By Emanuel on 25 de Abril de 2010

Na semana passada estava a falar com uma conhecida minha no emprego, sobre o que poupar dinheiro em papel traria de benefício à sociedade. Este tema surgiu à baila porque a empresa onde trabalho está a tentar reduzir a quantidade de papel que gasta anualmente. Eu depois dei-lhe a conhecer o paradoxo de Jevons, e o como a medida de redução do gasto de papel é fútil visto a partir do grande esquema das coisas.

Basicamente o que as empresas poupam em papel será gasto noutras áreas, mais equipamento, expansão, etc Digam-me agora uma empresa que não gostaria de aumentar os seus lucros. Essa é a base do paradoxo de Jevons, aqui está um filme que explica de forma bastante simples e sem fórmulas matemáticas complexas o paradoxo de Jevons:

http://www.workersoftheworldrelax.org/combined7.swf

Espero que isso vos faça pensar.

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