“Subjacente à maioria dos argumentos contrários ao livre mercado está a falta de acreditar na própria liberdade.”by Milton Friedman

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Archiv for ‘Interessante’


published: Agosto 14th, 2010

O homem sem sucesso

published: Junho 26th, 2010

Uma vida mais simples

Desde a infância que somos levados a crer que aquilo que é pregado pelos nossos pais é o mais correcto. A pressão por parte da sociedade para ter uma vida segura e de acordo com o status quo é enorme. Qualquer estilo de vida que é diferente do tédio diário das 9 às 5 entalado em dívidas é olhado com muita estranheza.

Tivesse eu adquirido os conhecimentos que tenho neste momento, não teria seguido a minha actual profissão, penso que a minha área profissional é muito interessante (consultoria informática), e até programava nos fins de semana quando era adolescente.

No entanto, o abuso por parte das empresas fez-me repensar o meu percurso de vida, e o que tenho perdido da minha década dos vinte em prol desta, para progredir em algo que não faz mais sentido. Desde novo que queria ser honesto, valorizado e competente, mas há sempre algo que se mete no meio, as políticas da empresa, a falta de meritocracia, a burocracia e o interesse mesquinho dos outros. É um erro que vejo muitos jovens e adultos fazer, sacrificar algum do seu tempo pessoal para progredir na sua carreira profissional.

Na empresa onde estou actualmente, não é raro ver áreas onde se trabalha inclusive à noite. Os que fazem as noitadas são sempre os jovens licenciados, aliciados pela promessa da progressão de carreira. Não há uma definição correcta do que é a progressão de carreira, pois as posições mais importantes vão estar sempre ocupadas por 20% da população (princípio de pareto), e quem está a ocupá-las não vai desistir facilmente dessas posições de poder.

published: Junho 14th, 2010

O evangelho do consumo

Não foi até há algumas décadas passadas que ter um carro e electricidade em casa era considerado um luxo pela maior parte das pessoas. A sociedade acabou por evoluir e actualmente as cidades estão repletas de carros, bens de consumo e entretenimento de todo o tipo. Basicamente, é difícil estar-se aborrecido hoje em dia.

Os industriais desde o início que tiveram esta visão, o seu papel sempre foi maximizar o consumo, através de agendas políticas e também com recurso à publicidade. Se repararem, é muito raro algum político dizer que estamos numa situação sustentável e que não precisamos de mais crescimento económico. Há uma diferença entre abundância e qualidade de vida, que gosto bastante de salientar neste blog.

O complexo industrial envolveu-se então de satisfazer as necessidades básicas para a criação de novas e inovadoras necessidades. Actualmente está muito em voga o empreendedorismo e a competitividade, qualquer empresário sonha em criar algo que seja muito procurado pela sociedade, chama-se a isso “riqueza”, mas este conceito é muito diferente do seu significado literal. A sociedade acabou por se transformar então num talho de vontades supérfluas e inúteis, moldado pelas nossas próprias necessidades exuberantes, incumbidas pela sociedade que nos proíbe e restringe a liberdade, e enfim, de sermos realmente pessoas mais ricas no sentido cívico e social.

As pessoas foram convencidas à noção que não importa o que se tem, é sempre preciso mais e mais. Embora a industrialização da sociedade tenha poupado tempo na obtenção das necessidades básicas, a sociedade decidiu não ir por esse rumo e as pessoas cada mais trabalham em empregos sem qualquer tipo de valor cívico e moral.

Em vez disso, demos permissão aos donos das máquinas para expandir o seu propósito, que não é a redução de trabalho, mas sim “maior produtividade” – com o imperativo de consumir tudo o que a maquinaria conseguisse produzir.

O presidente Herber Hoover no Comité de Mudanças económicas disse .. “Através da publicidade e de outros métodos de promoção.. uma grande quantidade de produção foi criada, acabando por libertar muito capital que estava preso. ” E então celebraram a inovação conceptual : “Economicamente nós temos um grande campo à nossa frente, que há novas necessidades que vão encontrar novas vontades, à velocidade a que são satisfeitas.”

No entanto houve numa empresa americana, com uma visão peculiar, essa empresa era a Kellogg que na altura era a maior produtora de cereais a nível mundial. A Kellogg anunciou que os seus 1500 trabalhadores seriam colocados num horário de seis horas de trabalho diário apenas. O presidente na altura pensou que ao estabelecer quatro turnos de seis horas, em vez das habituais três de oito horas, isso daria emprego a mais famílias. A Kellogg também aumentou um pouco a remuneração por hora para o impacto não ser tão grande no rendimento das famílias.

Embora alguns colaboradores ficassem um bocado ressentidos, as mudanças a longo prazo foram bastante motivantes. Era comum chegar agora a casa mais cedo e passar mais tempo com a família, desenvolver hobbies e apenas ter tempo para apreciar a vida.

Alguns estudiosos afirmam que é possível obter as necessidades da vida em semanas com dois dias de trabalho apenas. No entanto em vez de realizarmo-nos na rica vida social que a Kellogg apresentou, nós reduzimos a riqueza das nossas comunidades, com uma forma de materialismo que nos deixa em isolação com a família, amigos e vizinhos. Simplesmente não temos tempo para eles. Um observador externo pode observar que estamos num caminho esquisito, quase de auto-destruição.

Depois da guerra e apesar da visão da Kellogg ser suportada pela grande parte dos seus colaboradores, voltou ao horário normal de oito horas diárias, porque os líderes e gestores no topo não gostaram muita da ideia. Alguma resistência foi feita pelos colaboradores, que eram tentados com promoções e incentivos monetários.
Fonte e adaptação: http://www.orionmagazine.org/index.php/articles/article/2962/

published: Abril 25th, 2010

O paradoxo de Jevons

Na semana passada estava a falar com uma conhecida minha no emprego, sobre o que poupar dinheiro em papel traria de benefício à sociedade. Este tema surgiu à baila porque a empresa onde trabalho está a tentar reduzir a quantidade de papel que gasta anualmente. Eu depois dei-lhe a conhecer o paradoxo de Jevons, e o como a medida de redução do gasto de papel é fútil visto a partir do grande esquema das coisas.

Basicamente o que as empresas poupam em papel será gasto noutras áreas, mais equipamento, expansão, etc Digam-me agora uma empresa que não gostaria de aumentar os seus lucros. Essa é a base do paradoxo de Jevons, aqui está um filme que explica de forma bastante simples e sem fórmulas matemáticas complexas o paradoxo de Jevons:

http://www.workersoftheworldrelax.org/combined7.swf

Espero que isso vos faça pensar.

published: Abril 25th, 2010

Falta de Cultura Financeira

No ensino português, não existe muita ênfase nas finanças pessoais, não espanta por isso que a maioria das pessoas tenha montanhas de dívidas enquanto adultas. Existe uma falta de cultura financeira neste país, mas isto acontece em muitos outros países ditos “civilizados”, especialmente nos de clima mais ameno e propensão para a importância do estatuto social.

Portugal ainda vive à base do Drº e Engº, cursos que no tempo de Salazar apenas estavam disponíveis a famílias abastadas, que tinham os recursos necessários para enviar os seus filhos para a faculdade.

Isto poderá explicar a importância que os pais têm de enviar os seus filhos para a faculdade actualmente, apesar da triste situação económica do pais. Uma licenciatura de 4 anos pode custar uma pequena fortuna, sem obter qualquer tipo de retorno monetário.

Caso o seu filho não tenha a inteligência necessária, penso que a melhor abordagem será enviar o filho para um curso profissional com procura efectiva, para isso é preciso analisar o mercado e falar abertamente com o(s) nosso(s) filho(s) sobre os pontos positivos e negativos. Um curso profissional com reputação moderada colocará uma pessoa a ganhar mais que muitos licenciados de privadas.

Depois conforme a progressão da carreira e o seu interesse, poderá seguir o ensino superior na sua área profissional. Este foi um caminho que não segui, optei por tirar uma Engª mas ainda estou com algumas cadeiras pendentes, e por aqui ando, isto porque na altura fui recrutado e até agora que estou efectivo. No entanto faço mais que a grande maioria das pessoas na minha área, quer bruto ou líquido.

published: Março 31st, 2010

Escolhe o teu futuro, escolhe a vida!

Choose Life. Choose a job. Choose a career. Choose a family. Choose a fucking big television, choose washing machines, cars, compact disc players and electrical tin openers. Choose good health, low cholesterol, and dental insurance. Choose fixed interest mortgage repayments. Choose a starter home. Choose your friends. Choose leisurewear and matching luggage. Choose a three-piece suit on hire purchase in a range of fucking fabrics. Choose DIY and wondering who the fuck you are on Sunday morning. Choose sitting on that couch watching mind-numbing, spirit-crushing game shows, stuffing fucking junk food into your mouth. Choose rotting away at the end of it all, pissing your last in a miserable home, nothing more than an embarrassment to the selfish, fucked up brats you spawned to replace yourselves. Choose your future. Choose life… But why would I want to do a thing like that? I chose not to choose life. I chose somethin’ else. And the reasons? There are no reasons. Who needs reasons when you’ve got **** ?

published: Fevereiro 7th, 2010

Entrevista recente com Medina Carreira

O que mais espanta nas palavras de Medina Carreira é o não podermos negar nada. Enquanto o défice não for controlado e os impostos baixarem, não vai haver um incentivo real aos investidores e empresários para criar produção e negócios novos que gerem emprego, consequentemente, vai existir uma perda no poder de compra para todos os portugueses. Pode-se dizer que os investimentos públicos então, fazem parte do problema e não são a solução para sair da recessão.

published: Janeiro 19th, 2010

Férias, o novo símbolo de estatuto social

A minha alma fica parva de vez em quando. Acaba-se o curso na universidade, entra-se no mundo laboral e pensa-se que vamos deixar de ouvir como foi o último concerto da banda tal, de como as piadas secas do fulano primo de não sei quem são tão bué bué. No emprego e especialmente no mundo das consultoras todo um novo mundo se abre e o que passa a ser visto como estatuto social são as férias, o carro que apenas usamos para ir para o emprego, a carrinha que se compra apenas para ir ao Algarve com os filhos, sim esses também existem.

Falar de frugalidades e poupanças é proibido e visto com criticidade, a ordem do dia é gastar em coisas sem valor intrínseco (como o Golfe, Equitação agora também bastante na moda, carros novos, etc), ainda estou para achar alguém que saiba minimamente como investir o seu dinheiro, até porque são pessoas que ganham razoavelmente bem comparado com o salário médio em Portugal, no entanto apenas sabem trabalhar muito e logo de seguida gastam tudo. Na empresa onde trabalho várias são as parcerias com empresas de viagens, consequentemente os escritórios estão repletos de promoções e destinos turísticos apetecíveis mas caros. São revistas que trago para casa para atear a lareira e nada mais.

No emprego evito falar de investimentos e de tentar passar como pessoa que não quer ostentar, isso pode passar uma imagem de que não me quero esforçar o suficiente para subir na hierarquia dentro da empresa, é uma coisa que não quero mesmo.  Assim em geral, trabalhar numa consultora é exactamente aquilo que estava à espera: gente formada e licenciada que não quer fazer mais nada na vida a não ser ganhar dinheiro, impressionar os outros e contrair dívidas. Vamos lá ver quanto tempo mais vai durar esta minha aventura numa Big 4.

published: Dezembro 14th, 2009

O trabalho efectivo é uma falsa casa segura

O trabalho efectivo é uma falsa casa segura, mas somos todos a pensar o contrário, a isto chama-se “Condição Social” ou também pensamento de grupo / herança, segundo alguns peritos. Se todos pensassem menos em trabalho efectivo mas sim em trabalho concreto estaríamos numa era deveras próspera e os lucros seriam distribuídos mais simetricamente pela população em geral. Mas este comportamento já é antigo e teve origem com a agricultura em 7000-5000 antes de Cristo, nas primeiras economias, onde homens eram pagos para simplesmente guardar e trabalhar os mantimentos produzidos pelas hortas dos ricos, tornando-os cada vez mais ricos, os pobres trabalhadores eram-lhes pago uma bagatela e permaneciam sempre pobres. Este facto é relevante, apesar de nessa altura ser fácil competir criando a sua própria horta, não havia muitos com a ousadia para tal. Não havia qualquer destreza a ser aprendida basicamente e não havia a super estrutura de hoje em dia para gerar qualquer tipo de negócio ou produto que envolve o transporte, formação de pessoal, garantia de qualidade, suporte, segurança social, etc

O ser humano sempre foi um animal com hábitos de conforto, o típico trabalhador aceita que grande parte do seu ordenado seja divido com o patrão sem ele fazer nada por isso. Em troca o trabalhador tem um trabalho efectivo até chegar ao dia em que o chefe disser simplesmente “Estás despedido..” ou “Vamos falir..” . A situação por vezes ainda é pior, quando um casal é despedido, é caso para dizer que é necessário diversificar todos as nossas fontes de dinheiro e nunca acreditar que o trabalho efectivo é para sempre. Não cases com uma pessoa que trabalha na tua empresa, assim evitas este tipo de situações e também no caso da relação dar para o torto não precisas de ver essa pessoa todos os dias.

O comportamento de esperar o emprego efectivo é mau, tenho conhecidos meus que ganham mais que pessoas que desempenham a mesma função e com maior formação inclusive. Trata-se de saber regatear, coisa impensável para o comum português, sorte já temos nós por estarmos empregados não é verdade.

Já para não falar da forma como os empregados são tratados nas grandes empresas, como meras ferramentas de lucros e a super estrutura nas grandes empresas é enorme. Levando anos senão décadas até se chegar a uma posição confortável dentro da empresa, por isso faz uma favor a ti mesmo e encontra outro emprego, tu mereces melhor. E se providenciares valor intrínseco a qualquer empresa por onde tenhas passado não vejo porque ninguém te queira, visto que os bons trabalhadores são sempre aqueles criam valor acrescentado, não fazem apenas a tarefa que lhes é incumbida.

Investe na tua formação mas também não te esqueças que és apenas mais um rato no grande esquema das coisas.

published: Novembro 29th, 2009

Bidrivals.com é scam

BidRivals.com é um site com sede em Malta que faz “leilões” pela internet. O modelo está disfarçado como leilão mas na verdade é um casino, até porque se formos a ver bem o site não produz NADA, nem serviços nem qualquer tipo de produto, apenas cria dinheiro do puro ar através das pessoas que vão lá colocar licitações. joshua stein tentou contornar um site deste tipo sem qualquer sucesso, chegando há conclusão que é impossível a qualquer um ganhar um leilão com base em destreza, ou seja, é tudo aleatório e dependente da sorte.

Definição de scam: Scam é uma tentativa de defraudar a vitima ou grupo de pessoas ao ganhar a sua confiança.
Esta confiança é ganha através das já conhecidas características humanas: ganância, ilusão, honestidade, compaixão, etc.

Há algo aqui mais maléfico a funcionar, é como explorar uma deficiência do ser humano. Assim que colocamos uma licitação em qualquer coisa, passamos a ter um interesse genuíno no leilão, mas outro alguém pode ganhar, levando-nos a colocar mais licitações sem qualquer garantia de que o nosso “investimento” tenha algum tipo de retorno, o dinheiro pode no final do leilão ir todo para a casa. Este comportamento frequentemente dá origem a pobres decisões.

Na verdade este método de leilão já é usado há mais de 30 anos em algumas feiras espanholas. Na Suécia este modelo de negócio é ilegal! Depois também há outro pormenor que gostaria de reportar: não existe qualquer forma de averiguar se as licitações feitas num leilão são reais ou feitas automaticamente por software. Em alguns sites deste género que foram atacados havia milhares de contas fictícias.

Conclusão: BidRivals.com não é ilegal, mas também não é um leilão. Talvez casino seja a sua melhor definição.