escrito por Dr. R. Daniel Allen
Sumário executivo: O frenesim do consumo da Civilização Industrial parece que chegou finalmente ao seu clímax e já começou a declinar, na primeira década no Século XXI. Um olhar mais aprofundado às realidades físicas da extracção de recursos revelam que a situação está de facto a chegar à fase terminal da civilização de grande consumo. Depleção de recursos é um aviso do requerimento para a adaptação a um novo paradigma de baixo consumo, em vez de um problema ser resolvido com tecnologias ou soluções sociais. Como um planeta, precisamos de começar a dialogar o que uma sociedade de baixo consumo e pobre em recursos se assemelha, e começar as devidas preparações.
A insaciável fome da Civilização Industrial
Nos últimos 150 anos, a combinação brutal do aumento exponencial da população e um aumento também ele exponencial do consumo per capita já reduziu significativamente uma elevada quantidade de recursos naturais necessários para a continuação da nossa Civilização Industrial. Isso inclui tanto recursos não renováveis (ex: combustíveis fósseis, minérios, etc ) e teoricamente recursos naturais que estão a ser abusados de uma forma tão grande que se estão a tornar quase não renováveis ( peixes, solo, água potável, etc ).
Pegue em num destes recursos chaves, os dados da sua extracção anual segue um crescimento exponencial desde meados de 1800 até agora. Pergunte a um cientista acerca do recurso e eles vão-lhe dizer más notícias: a curva de extracção anual, está ou já ultrapassou o ponto de colapso. Pergunte agora a economistas e políticos chorudos o que verdadeiramente se passa : “Está tudo Ok; o mercado vai sempre tomar conta de tudo como tem feito sempre”.
Então em quem vamos acreditar ? Olhando rapidamente na retórica passada, a situação torna-se clara – preocupantemente para aqueles que querem que a festa industrial continue, assim como para aqueles que têm medo que não estejamos o suficientemente preparados.
As coisas fáceis vão desaparecer
Assim que a sociedade industrial ganhou velocidade, os recursos mais fáceis, “a fruta madura nos ramos mais baixos da árvore”, foram consumidos logicamente em primeiro lugar: o carvão de grande qualidade, os minérios a poucos metros da superfície, o petróleo e gás que jorravam à superfície apenas para serem saqueados, as enormes quantidades de peixe que praticamente saltavam para dentro dos barcos, os solos férteis que produziam com o mínimo de fertilizante.
Enquanto a facilidade de extracção e a alta qualidade destes recursos deram-nos grande confiança como civilização, um aumento eterno na taxa de consumo começou a ser um requisito para a continuação das nossas industrias económicas. Enquanto este frenesim de consumo ganhou mais balanço, no entanto, os recursos que outrora eram fáceis de obter começaram a ser denominados de “alta qualidade;”, querendo dizer que os depósitos mais fáceis foram devastados ano após ano, até que os recurso que sobraram eram de fraca qualidade.
O que sobre agora claro, no nosso avançado estado de depleção, são os recursos que são mais caros, de baixa qualidade, e mais difíceis de extrair. Estes são os metais de baixa pureza a milhares de metros abaixo do solo; petróleo e gás misturados com toxinas que precisam de ser processados / tratados com grande esforço a milhares de metros abaixo do mar, rocha e terra. A pesca escassa e de tão baixa qualidade precisando de redes gigantescas e grande navios para a sua extracção económica ser viável; e o gasto solo, carente de nutrientes requerendo quantidades avulsas de químicos para produzir algo.
As coisas difíceis são as mais difíceis
Vamos assumir uma aproximação muito crua e que os recursos teoricamente possíveis de extrair já foram consumidos quando entrámos do Século XXI – combustíveis fosseis, minérios, pesca, etc. O consumidor industrial diz : “Eh lá! Isso ainda deixa metade para ser extraído e consumido. Nós ainda temos mais 150 anos de divertimento. Vamos para a festa!”. Há no entanto, dois problemas chave que vai estragar a exuberância deste plano.
Primeiro, devido ao aumento da população e ao consumo per capita, nós estamos a queimar estes recursos a uma taxa muito mais rápida que nos primeiros 150 anos. Mesmo que o inícios do segundo período os recursos fossem facilmente extraídos, eles seriam consumidos em poucas décadas devido ao consumo exponencial. Em segundo lugar, os primeiros 150 anos foram baratos. O que resta agora é tão difícil de extrair e aceder que irá precisar de grande quantidades de energia, tornando todo o processo ineficiente e dispendioso – ie. não vai acontecer. Nem de perto.
Existe uma ironia escura na nossa sina: A segunda metade mais difícil de extrair que requerem uma infraestrutura enorme para a sua extracção apenas podem existir na presença dos recursos de maior qualidade, a tal metade mais fácil de extrair – os recursos que já não existem. Por favor leia esta frase novamente.
Por outras palavras, uma grande quantidade dos recursos de baixa qualidade que irão sobrar provavelmente nunca serão extraídos. A idade de recursos baratos e de alta qualidade que estão a alimentar a nossa civilização industrial correntemente vão acabar, e a idade de recursos caros e de baixa qualidade vai começar..
A nossa amada Civilização Industrial, este pináculo de ingenuidade humana, esta luz de vida do Universo está prestes a perder a sua energia.
“Pouco Consumo” é o novo “Grande Consumo”
Então o que é todas estas más notícias querem dizer para o nosso dia a dia ?
A resposta curta é que podemos esperar uma drástica e involuntária redução no uso de recursos num futuro não muito distante, gradualmente a piorar, e a estender até ao futuro longínquo. Esta fase pode vir de forma gradual parando em vários patamares sendo seguido de outra redução no consumo, este ciclo vai-se repetir várias vezes. A erosão continua dos recursos vai destruir a nossa industria tão desejosa de crescimento e enviar choques em cadeia passando por todas as facetas do nosso dia a dia.
Nós não teremos apenas menos dos recursos “primários” disponibilizados todos os anos — menos petróleo, menos carvão, menos gás natural, menos minério,etc; mas também teremos cada vez menos dos recursos naturais “secundários” que apenas são disponibilizados indirectamente pelos “primários”: menos electricidade, menos fertilizantes, menos tratamento de águas, menos transportes, menos computadores e comunicação electrónica, etc
Outra vez, é importante salientar aqui que este declínio não será apenas involuntário, mas como não será possível prevenir por qualquer combinação de soluções politicas, sociais ou tecnológicas. Vai simplesmente ocorrer e nós precisamos de simplesmente responder a esse evento com precaução.
É também preciso realizar que outras facetas importantes das nossas vidas vão aumentar no futuro : relações com a nossa família, comunidades e o contacto com o mundo natural; desporto local; apreciar o vento; amor nos nossos corações, etc Por outras palavras, é bastante possível que vamos re-encontrar coisas de maior valor.
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Este artigo não é da minha autoria mas traduzi para português, original pode ser encontrado no TheOilDrum : http://campfire.theoildrum.com/node/5937