China e a concorrêncial desleal
É difícil para um capitalista nato perceber o movimento que existe contra as lojas chinesas, em certa parte esse movimento pode ser justificado. Por um lado a competição vinda do exterior com o objectivo de trazer produtos mais baratos é sempre benéfico para o consumidor final e para economia em geral, a população mais pobre é que reconhece imediatamente os benefícios desta suposta “competição desleal”. Com a chegada da crise o governo chinês decidiu baixar os seus impostos tornando os seus produtos ainda mais baratos de produzir, no final, quem ganha sempre é o consumidor pois esses mesmos produtos têm que ser vendidos a um consumidor para que a função da moeda seja cumprida. Para perceber o verdadeiro teor da competição desleal é preciso primeiro mergulhar na cultura chinesa e saber como funciona a sua economia e as diferenças relativamente às economias já desenvolvidas.
A influência da cultura chinesa
A cultura chinesa é uma reminiscência da cultura japonesa dos anos 70s onde houve um forte crescimento económico, as empresas japonesas apenas copiavam os produtos do ocidente sem qualquer permissão, produzindo a um preço múltiplas vezes mais baixo. A situação é muito semelhante na China actualmente onde a maior parte das empresas apenas copia produtos uma da outra, isto pode aumentar o RSI (Retorno Sobre Investimento) já que não há qualquer custo no design ou marketing de um produto e o risco é mais baixo. Este tipo de atitude também pode ser visto no seu sistema de educação onde qualquer criatividade é ignorada e o conhecimento técnico é demasiadamente valorizado. Há muita ênfase no fazer e não no pensar, no entanto esta face da China está lentamente a mudar.
Um estado de arbitragem temporário
A China sendo um pais mais pobre, pode exportar produtos a um preço mais baixo até que a sua economia cresça até a um ponto em que esteja ao mesmo nível das ocidentais. Quando a China chegar a esse nível os chineses vão querer alguns produtos do ocidente pois já apresentam um preço relativamente confortável para o consumidor chinês. Esta competição é sempre bem vinda pois quem beneficia é sempre o consumidor final.
Será a China sustentável ?
Não. É insustentável ter 1 330 milhões de habitantes com um nível de vida semelhante ao de um americano. A China também já enfrenta graves problemas de poluição devido à sua industrialização precoce. Vou tocar neste aspecto outro artigo.
Hiperinflação no Zimbábue
A hiperinflação no Zimbábue é um acontecimento que ensina e ajuda a reflectir sobre o sistema monetário de qualquer país e as politicas por detrás dele. Esta situação começou quando em 1999 o presidente Mugabe expulsou do pais cerca de 2000 agricultores brancos e confiscou as suas terras. O resultado foi que o Zimbábue tornou-se lentamente num país importador de comida que era paga através do dinheiro imprimido pelo governo de Mugabe, depressa Zimbábue passou de país da África com a melhor educação e um dos mais forte economicamente para um onde a fome, pobreza e a corrupção impera. Em Fevereiro de 2009 foi colocada a circular a primeira nota com o valor de 1 Trilião de Doláres, a situação é tão má que a população já nem usa a moeda e em vez disso usa o ouro como moeda, mas também aceitam euros e libras que são introduzidas no país através de turistas. O que me espanta é que Zimbábue tem uma bolsa de valores! Composta por um quadro branco e um computador antigo onde são registadas todas as transacções. Pelo que andei a ler existem empresas chinesas e indianas a comprar minas e outros recursos naturais, por uma pechincha, a premissa é que Mugabe seja forçado a demitir-se do cargo, seja através da pressão política internacional ou revolução. No entanto as mesmas empresas chinesas e indianas vão continuar a ter direito às terras antes adquiridas, ou seja, os recurso naturais de Zimbábue estão a ser lentamente transferidos sem esforço ou trabalho para a mão de alguns players. Não é só empresas de matérias primas mas também de imobiliário que compraram muita coisa e estão à espera que Zimbábue volte aos antigos anos 80s e 90s. Há uma lição importante a reter no meio desta história toda, mas deixo a vocês para pensar.
O pequeno almoço de um pobre
Desde os tempos de faculdade que tomo sempre o mesmo pequeno almoço, apenas 100 gramas de aveia com água. É simples de fazer e é saudável, como não é preciso manter nada no frigorífico, consequentemente não há qualquer custo residual com a electricidade como acontece com o leite ou o yogurt. A aveia também é muito barata, compro 400 gramas a menos de 70 cêntimos o que faz 0.18€ por cada pequeno almoço no máximo. A água também é quase sempre de borla, digo quase sempre porque o furo da minha família está no outro lado do Tejo e demora-se 10 minutos a lá chegar.
E é este o pequeno almoço de um pobre..